Entrevista com a Chimarruts

Entrevista - 25.3.2011 – 13h23

O Ballad News entrou em contato com um dos maiores nomes do reggae nacional, a banda Chimarruts. Quem falou com a gente foi a vocalista Tati Portela. Ela falou sobre a história da Chimarruts, o DVD, além das novidades da banda pra 2011. Confira!

banda chimarruts

SITE: Por que o nome Chimarruts?
TATI PORTELA: Chimarruts veio do tempo em que tocávamos nos parques. Há 10 anos atrás fazíamos muito isso de tocar o violão e fazer as composições da banda, que era uma banda totalmente autoral. No primeiro disco a gente apareceu de forma independente em Porto Alegre, foi uma das primeiras bandas de reggae a fazer isso. Nós vivíamos sempre no Redenção, no Marinha, que são parques da cidade, regados a chimarrão, porque podia fazer calor ou frio que sempre estávamos com um chimarrão junto. E um dia um menino que estava na roda escutando a gente tocar, disse “Olha, por que vocês não botam Chima?”, a gente ainda não tinha o nome da banda, e eu disse “Ah! Chimarruts, então!”, porque ‘roots’ vem de raiz. Na época Natiruts ainda era Nativus e achamos o nome bem diferente e uma coisa bem peculiar, porque dá para saber de onde nós somos de qualquer lugar do mundo, pois é bem característico do gaúcho o chimarrão. E nós queríamos colocar uma coisa que falasse das nossas raízes e então ficou Chimarruts. Mas agora de forma carinhosa, somos chamados pelo público de “Chima” e nós gostamos disso. Ficou bem despretensioso, queríamos um nome que ficasse na cara de todo mundo da banda e do Rio Grande do Sul, e ficou Chimarruts.

SITE: Quando a banda começou? Como se conheceram?
TATI PORTELA: A banda começou com o Rafa (Rafa Machado), com o desejo dele de fazer uma banda de reggae que falasse mais sobre a nossa realidade, porque o rock é uma coisa bem forte no Rio Grande do Sul e tem a questão do europeu gostar de rock, e ser aquela coisa fria, cinza. Nós não tínhamos muito a ver com a ideologia do rock, sempre fomos mais de falar de paz, amor e nós estávamos recém-descobrindo o reggae. Era uma coisa nova, pois conhecíamos só o Bob Marley, o Pato Banton, essas coisas mais de fora. Então, o Rafa (Rafa Machado) começou a juntar os amigos que ele tinha de colégio. O primeiro que juntou foi o Sander Fróis, que é o compositor da banda e o Diegão (Diego Dutra), que é o baterista, porque eles moravam no mesmo bairro, e depois começaram a juntar a galera que era a fim, vizinhos, as pessoas que conheciam e que gostavam de fazer um som, mas ninguém tocava nada, não sabiam nada, nem afinar o seu próprio instrumento, mas aos poucos fomos aprendendo, a galera toda é autodidata. Nós não tínhamos dinheiro e a galera era da periferia de Porto Alegre, então, a forma mais correta, a mais justa e sincera seria ser o reggae, porque achávamos que era o que falava mais sobre este povo todo. Eu (Tati Portela) e o Vini (Vinícius Marques) fomos os últimos a entrar, e eu fiz teste para entrar na banda, quando eles já estavam no estúdio para gravar o primeiro disco. Tinha uma outra menina que cantava, mas ela era do teatro, fazia outras coisas e eles queriam profissionalizar, então, fizeram uma enquete para ver quantas meninas iriam querer fazer o teste, eu acho que fui a 25ª pessoa a fazer o teste, já estavam até desistindo de colocar uma menina na banda. Eu fiz o teste, passei e gravei o disco antes de entrar pela primeira vez no palco e a banda toda era despreparada, mas graças a Deus o primeiro disco decolou e a gente já tocou em festivais importantes no primeiro ano de CD independente. Enfim, deu tudo certo e a banda nunca mais terminou, não saiu mais ninguém, o elo se fechou nos oito. E os meninos que tocam trombone, trompete e teclado são os músicos contratados, que desde o primeiro disco foram chamados para gravar e ficaram com a gente.

SITE: Quais são as influências musicais de vocês?
TATI PORTELA: Como é um bando e não uma banda, cada um tem as suas influências. Eu como cresci escutando músicas brasileiras, porque a minha mãe gostava muito disso, sempre escutei muito Chico Buarque, Elis Regina, etc. O reggae eu comecei a conhecer mais através dos meninos, mas eu gosto mais do reggae mais arrastado, Ilhas Virgens, Midnite e Dezarie. Os meninos já gostam mais de Sublime. Nós também gostamos muito de Dub, Bob Marley é primordial para quem gosta de reggae conhecer, porque foi ‘o cara’ e fez uma forma bem popular do reggae. Uma banda que nos influenciou muito, do Rio Grande do Sul, foi Produto Nacional, que é a banda mais antiga que tem na cidade e que foi influência de O Rappa e de várias bandas. Eu gosto muito de mulher no vocal também, eu gosto da Filosofia Reggae que é de São Paulo, gosto de Namastê que é uma banda do Paraná. Eu vou curtindo, em cada lugar do Brasil que eu vou, estou sempre atrás de bandas de reggae e tudo mais. Em Espírito Santo tem muita banda legal, Macucos, Tamy, ... A gente sempre vai aberto para escutar música. Skatalites também não esqueçam, porque os meninos amam de paixão essa banda.

SITE: Quais artistas novos vocês estão ouvindo? Alguma indicação pra galera?
TATI PORTELA: Têm duas bandas que estão surgindo em Porto Alegre que vão dar o que falar, a galera é bem legal e lembra muito o começo da Chimarruts, aquele clima que a gente tinha, que é a banda Rutera e Brilho da Lata.  Elas são duas bandas autorais também que eu acho que vão dar o que falar. Os meninos têm estúdios de música e o pessoal da banda tem ido lá para gravar e fazer os dubs. Então, nós estamos apostando nessas duas bandas, escutamos direto e achamos bacana o som. Além disso, o que estamos escutando juntos e que nunca sai do nosso ônibus é a versão dub das músicas Pink Floyd.

SITE: Após a divulgação do CD Só Pra Brilhar, vocês pretendem lançar um DVD?
TATI PORTELA: Sim. Em abril vai chegar o DVD, na verdade nós já o vimos e já fizemos uma reunião da banda, para ver se todo mundo estava gostando e eu achei bem legal. Como fizemos um DVD ao vivo em Curitiba com uma coletânea de três discos lançados, nós fomos bem felizes. É porque a gente não colocou o nosso próprio gosto, fizemos uma enquete no nosso site para ver quais músicas que a galera iria gostar de curtir no DVD, gravamos e foi um boom, porque o DVD ao vivo ficou bem bonito mesmo. Nós o fizemos de uma forma mais reality, tem algumas partes que são flash mobs, que gravamos na Redenção, era a parte de montar os instrumentos ali e tocar sem avisar o público, então, ficou uma coisa bem bonita e bem dinâmica. Uma parte também são as músicas de ska que escolhemos em preto e branco, são três músicas de ska, para não ficar uma coisa muito maçante, porque este DVD foi feito mais em estúdio, como se grava uma música, a guitarra, o baixo e a batera. E fizemos mini-clipes de cada um gravando. Eu acho que ficou bem legal e ainda nisso tudo fizemos intervenções de cada um na sua casa, falando das suas correrias particulares, eu acho que ficou uma forma de apresentar cada um da banda naturalmente, sem muitas produções, fizemos o que fazemos todo dia. O diferencial desse DVD é que é uma coisa mais de estúdio. E vai sair em abril, se Deus quiser!

SITE: Qual é a relação da banda com a Internet?
TATI PORTELA: Eu particularmente não conheço muita coisa. Na verdade, agora eu sigo um twitter, porque eu sei que é preciso. É legal que a banda começou a se desenvolver e crescer durante com o crescimento da internet, do boom mesmo, porque quando a gente gravou, não era tão fácil assim, hoje em dia você tem um estúdio dentro de casa, pode gravar com o Pro Tools e antes era diferente, quando a gente começou era tudo muito novo para nós, porque só o Diegão tinha computador em casa, então, aos pouquinhos fomos fazendo shows, ganhando um pouco de dinheiro e podendo comprar essas coisas.  A gente achou que sem internet não teríamos como passar a tocar no Brasil todo, porque antes de assinarmos contrato com a EMI, nós começamos a ser divulgados pelo nosso próprio público. Até pelo fato de que eu pedia muita ajuda para os nossos fãs, eu falava “Gente, pelo amor de Deus, espalhem a música o quanto vocês quiserem, porque a música não pode ficar na gaveta ou só no seu próprio estado”, então, a gente achava interessante divulgar a banda. A partir do nosso terceiro disco começamos a ir para São Paulo, e íamos direto a um barzinho chamado “Açaí Praia”. Tocamos lá muitas vezes, pois é um bar de reggae e forró, e foi ali que começamos a ser conhecidos pela galera que curtia reggae, através deles começamos a ser divulgados, da música se espalhar pelo Brasil todo. Nós achamos importantíssima a Internet, até pelo fato de morarmos em Rio Grande do Sul, distantes do resto do mundo. Os mais engajados na banda são o Rodrigo Jaca, que faz guitarra base e também o site, coloca as coisas novas, renova as fotos e o Rafa, mas neste ano eu prometo que vou me dedicar mais.

SITE: O que os fãs podem esperar da Chimarruts em 2011?
TATI PORTELA: Nós já estamos excursionando este disco novo. Em 2011 temos pretensões de darmos uma circulada na Argentina, conhecer mais os outros reggaes, porque na verdade a gente já conheceu quase o Brasil todo com esse DVD do ao vivo. Então, o que queremos é renovar as expectativas, não criar muitas expectativas para não termos frustrações, mas a gente vê que a música está andando por si e que o público está aceitando essas músicas novas. Nós estamos querendo fazer músicas e continuar fazendo a turnê, porque a gente nunca parou de fazer turnê para gravar disco ou para DVD, e é o que mais gostamos de fazer, que é fazer shows, conhecer pessoas novas, Estados novos e agora vamos dizer que uma das pretensões maiores é fazermos uma excursão por Buenos Aires, porque a gente sabe que o boom do reggae está lá também. Tem reggae teatro, que é bem bacana, tem uma banda chamada Nonpalidece, que estamos entrando em contato para fazermos uma espécie de intercâmbio, para trazer eles para o Brasil e irmos para lá. E é isso! Não temos muitos planos, a banda não gosta de fazer muitos planos, a gente deixa a maré nos levar, o que graça a Deus está dando certo.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário

Comente esta postagem!